Bebel Abreu, curadora e fã

Ele tem a capacidade de observar o que acontece ao seu redor e com delicadeza e elegância transformar as situações de seu dia-a-dia em fantasia e arte. Liniers faz arte para as massas. Para ser lida na tirinha diária ou nas crônicas em quadrinhos que publica toda semana: as cosas que te pasan si estás vivo. Ele é um fenômeno em seu país: seus desenhos são reproduzidos à exaustão: ilustram muito além de livros, vão de camisetas a canecas, passando por cadernos e cartões postais. Mas de repente, eis que ele bagunça tudo e desenha à mão cada uma das 5 mil capas de Macanudo #6, livro de estreia de sua Editorial Común, de um modo diferente. Regra para que?

A impressão que se tem é que Liniers pode tudo: com sua estética da bondade, enche de alegria e otimismo as pessoas que passam os olhos pelos seus personagens. Mas deixa a gente com cara de bobo com suas piadas suspensas, sem final. Não se engane: há também muita ironia! Como disse uma vez o cultuado quadrinista Roberto Fontanarossa: “Tudo parece um pouco ingênuo. Mas cuidado, desprevenido viajante! É a ilusória ingenuidade de um leão cercando uma gazela”.

Personagens como os pingüins e os duendes, a menina Enriqueta, seu urso Madariaga e o gato Fellini, Olga e tantos outros estão na retina dos adultos, crianças e velhinhos que leem suas histórias e que através delas entram pouco a pouco no universo terno e singular desse artista incrível. O músico argentino Andrés Calamaro, na apresentação de Macanudo #5, diz que "Liniers é um flautista de Hamelin e atrás dele marcham seus personagens, seus leitores (nós) e ele mesmo!". Eu vou junto! E você?