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Vida de colhereiro é dura!

Terminando os preparativos da exposição Colheres de Bambu, de Alvaro Abreu.

Publicamos aqui no site da Mandacaru a mais recente crônica dele:

COLHERES NO BANCO

O primeiro convite me fora feito em tom de cobrança amistosa, durante uma solenidade. Como de costume, fiz corpo mole e desconversei. A cabeça estava completamente tomada por coisas da vida e do trabalho. Melhor seria deixar pra depois, pois é assunto relevante demais para misturar com qualquer outro. Digo isso porque sei muito bem que montar uma exposição mobiliza emoções e exige providências de toda ordem.

A segunda investida veio por escrito. As palavras eram amáveis, mas não deixavam margem para despistes nem permitiam postergações. Estava encerrado o prazo para mais um “devo, não nego, pagarei quando puder”. O convite incluía o pedido para que contasse o que sei e mostrasse como faço.

Muita gente sabe que gosto de fazer colheres de bambu, um servicinho que realizo quase diariamente, há muitos anos e sem preocupações. Pra mim, fazer colher é fácil, preparar uma exposição é que são elas, ainda mais em prazo apertado.

Achei prudente convocar a família inteira para tratar da produção. Cada qual na sua especialidade: a filha do meio para cuidar das questões de curadoria e montagem, a mais velha para tratar das peças gráficas, a caçula para fotografar as colheres, o primogênito para atualizar o site, o quinto filho para filmar a festa e, naturalmente, a mãe de todos eles, para arrumar cuidadosamente as peças nas vitrines.

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Colheres de Bambu: exposição em Vitória

O BANDES convida para a exposição

A abertura acontece dia 16/11 às 18h30, no Espaço Cultural do BANDES,
Av. Princesa Isabel 54, Terreo / Centro, Vitória – ES
e a exposição fica em cartaz até o dia 17 de dezembro.

Nas palavras de Adélia Borges, jornalista curadora da área de design:

“As colheres são como ímã. Mesmo que por
um breve instante, estabelece-se alguma conexão
entre o ser que passa e se detém e o que ele vê.”

Essa é a primeira grande exposição individual de Alvaro em Vitória – ele, que faz suas colheres desde que teve um infarto, em 1994 e já levou várias delas pra passear pelo mundo afora.

Tantos anos depois, ele preserva a alegria desse ofício e conta um pouco da reação das pessoas quando se encontram com seu trabalho:

“Tenho visto pessoas sentindo emoções que beiram a ternura ao
se deparar com uma forma simples e delicada, a sensação gentil de
tocar e alisar o bambu, uma eventual saudade de tempos passados,
a vontade de tentar fazer uma colher. Há quem fique com uma colher
na mão, mexendo uma panela imaginária, rindo e respirando fundo,
como se estivesse sentindo o cheiro do doce de goiaba.”

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